domingo, 8 de setembro de 2013

Esperança e Criatividade





"O paradoxo de nossa época é que a esperança é ligada à desesperança
(...) Há princípios de esperança nas possibilidades criadoras da humanidade,
nas escolas, instituições onde as mentes dos pequenos são domesticadas ".

(Edgar Morin, 2009)

Para atingir um amadurecimento emocional que permita um viver criativo, a criança precisa ter espaço para pensar... ser estimulada a buscar suas próprias respostas para um universo de perguntas que borbulham na sua mente curiosa.

O silêncio da mente é como uma doença que impede a evolução do ser no mundo e as mudanças sociais.

A curiosidade, a inquietude é o que instiga a pesquisa, a busca pelo saber.

Domesticar a mente de uma criança impede a formação de um adulto crítico e politizado.

As instituições, ainda totais, formam indivíduos com uma mente que não pensa, reproduz modelos arcaicos de pensar o mundo.

O pensar criativo e a esperança transformam o homem ao mesmo tempo em que permitem que ele transforme o mundo.

O papel dos pais, como representantes da primeira instituição da criança - a família - é primordial para possibilitar um processo de amadurecimento emocional que permita um viver criativo e espontâneo (D. W. Winnicott).

domingo, 23 de junho de 2013

FIM DA LEI DO CÃO




Num país marcado pela violência, impunidade, amoralidade, indignidade, doenças, fome... como sobreviver?

Felizmente, a classe dita "média", não sei se todos tem essa consciência crítica mas essa
classe está cada vez mais "achatada", vendo se esvair alguns direitos já alcançados. Essa "classe" vista por alguns como privilegiada, na minha opinião é aquela minoria que teve
oportunidade de estudar, ter um emprego, é aquela que pode ir às farmácias comprar remédios, tem sua casa para morar, enfim. um mínimo de dignidade. Mas, é a mesma classe que paga muitos impostos...

Os estudantes, pessoas que tem minimamente seus direitos resolveram juntar-se às vozes que clamam por justiça e também foram às ruas... Para protestar SIM por um país melhor, para que TODOS tenham acesso aos DIREITOS BÁSICOS e sejam tratados como CIDADÃOS.

Leio, consternada, na internet pessoas que perguntam num tom de ironia...

Porque essa manifestação não aconteceu antes?

E importa? Não dá para definir o momento certo... Uma gota que fez com que o "copo" da passividade e tolerância transbordasse... O importante é que o NOSSO POVO se uniu... A Lei do Cão não cabe mais para esta gente sofrida, inclusive a dita "classe média" que trabalha cinco meses só para pagar impostos. Para onde vai esse dinheiro?

As manifestações pacíficas devem continuar. Há muita coisa para mudar. "Quem sabe faz a hora..não espera acontecer".


Afinal, MUDANÇAS SÃO REALIZADAS PELO HOMEM E PARA O HOMEM!

quarta-feira, 19 de junho de 2013

ORGULHO DE SER BRASILEIRA







Nos últimos dias vimos, a princípio com certa perplexidade, estudantes universitários, famílias, trabalhadores, senhoras donas de casa se unirem num coro único e solidário .... iniciava-se uma manifestação pelo aumento da passagem do ônibus.

Perguntei a mim mesma? É só isso? Não era....

Vivemos e convivemos num país em que a miséria é vista com naturalidade.. acesso à educação de qualidade, atendimento digno e qualificado na área da saúde (nem os Planos de Saúde particulares nos oferecem um atendimento digno!!), saneamento básico! Nossas crianças brincam no esgoto.. convivem com ratos, são invisíveis... Ônibus? Até onde vão as linhas? Até que ponto da cidade existem ruas asfaltadas? E Creches... promessas que tem que ser cumpridas... O povo hoje tem VOZ que ninguém mais vai conseguir calar... Isso é certo e, como cidadã brasileira quero acreditar que a luta vai continuar SEMPRE!

O "país do samba, do carnaval, do futebol e do Pelé" vem mostrar ao mundo que é um país que tem um povo politizado que LUTA por seus DIREITOS... DIREITOS BÁSICOS!!!

O vandalismo?

Lógico que não vem dos manifestantes... Quem fala isso quer desviar a atenção da seriedade deste
movimento que é LEGÍTIMO e PACÍFICO...

BRAVA GENTE!!!

VALEU BRASIL!!!!

sábado, 1 de junho de 2013

Meu filho adolescente.... E agora?





Ser jovem é tão antigo quanto a humanidade, mas só a partir do século XVIII é que este passou a ocupar lugar de destaque na vida social humana, apesar de já existir uma percepção desta particular fase de desenvolvimento.

A juventude era identificada como um período de características próprias com relação ao corpo, ao crescimento, ao desenvolvimento, a certos comportamentos e funções na sociedade. Juventude significava força da idade e a sua história estava relacionada à dependência. Tornar-se Independente decidia o final da infância (Ariés,1981).

Para resolver os problemas, desafios e riscos enfrentados pelos adolescentes, é necessário tratá-los como um todo. Viabilizar a criação de mecanismos e meios que levem o adolescente a conviver em ambientes que i incentivem a adquirir estilo de vidas saudáveis.

O importante, mas não podemos deixar de admitir as dificuldades, é levar o adolescente a se tornar sujeito de sua própria existência e a considerar sua comunidade, sentindo-se parte integrante dela.

Os pais biológicos ou não, muitas vezes, sentem-se impotentes frente às situações e adversidades que encontram para exercer a paternidade ou maternidade; para estarem próximos ao filho ou filha que vivenciam um momento em que precisam se distanciar da família, rebelar-se contra valores, questionar, experimentar, enfim... buscar, incessantemente, seu eu, sua identidade e lugar social.

A impotência parental impede o caminhar, as bocas emudecem e o vazio e distanciamento entre pais e filhos se impõe como algo inevitável. Isso não é verdade, as coisas podem ser diferentes e os pais precisam sair do lugar de imobilização e construir uma ponte entre eles e o adolescente.

Como construir essa ponte?

O primeiro passo seria fazer uma retrospectiva de vida, pensar ... Como foi a minha adolescência? Quais eram meus medos, angústias...? O que eu queria mudar, transformar? Como via meus pais? E as minhas experiências?

Penso que essa reflexão pode possibilitar uma visão humanizada e até mesmo levar a compreensão das dores da adolescência. Sim, porque o jovem está sofrendo com todas as mudanças e sentimentos com os quais não consegue lidar.

A ponte leva a um lugar de diálogo, escuta,compreensão e acolhimento oportunizando ao adolescente ser o protagonista da sua história. Às vezes a falta de percepção das transformações evolutivas de seus filhos torna a realidade árida e as relações empobrecidas, esse descaminho deve ser evitado.



Referência Bibliográfica:

ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1981.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pensamentos de Donald Woods Winnicott...







Por incidir seu olhar para o estágio primitivo da natureza humana, Winnicott entende o bebê como
uma organização em marcha para a conquista do SENTIMENTO DE SER.

"O sentimento de estar vivo não se deve exclusivamente ao fator constitucional ou biológico, mas a
uma conquista contínua que implica um ambiente facilitador".


(WINNICOTT, D. W. "A Criança e seu Mundo")







terça-feira, 28 de maio de 2013

DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE PARA SE PREOCUPAR COM O OUTRO SER HUMANO









Estágio do Concernimento

[...] eu me preocupo muito com o desenvolvimento da capacidade de preocupação (Concern).

Winnicott (1948)


Winnicott (1963) formula sua compreensão acerca do estágio do concernimento, frisando “ser uma condição para a conquista do concernimento a passagem pelos estágios iniciais sem demasiados problemas” (Moraes, 2005, p. 220, grifo da autora).

Entendemos que é importante ressaltar esta introdução ao estudo deste estágio realizada pelo autor:

Estamos examinando a psicologia do estágio que acontece imediatamente depois do novo ser humano ter alcançado o status de unidade [...] Gostaria de deixar aqui a observação de que quanto mais recuarmos na história individual, mais verdadeira se torna a proposição segundo a qual não há sentido em falarmos sobre o indivíduo sem considerarmos um ambiente suficientemente bom que se adapte às suas necessidades (2000 [1954-5, p. 360].).

A capacidade para o concernimento resulta de um cuidado suficientemente bom e seu desenvolvimento está ligado à saúde psíquica. No desenvolvimento emocional certas condições externas são necessárias para o amadurecimento pessoal. Como Winnicott diz:

A provisão ambiental continua a ser vitalmente importante aqui, embora o lactente esteja sendo capaz de possuir uma estabilidade interna que faz parte do desenvolvimento da independência (1983 [1963], p.72).

Assim, mediante estes cuidados, o bebê alcança, em algum grau, o estatuto de um EU unitário como também já pode realizar a tarefa de integração da vida instintual. Estes seriam os pré-requisitos para a entrada no estágio do concernimento.

O bebê aqui já se percebe como uma unidade e à mãe como pessoa separada, inicia a integração da instintualidade como parte do seu eu. A criança percebe que ama e odeia o mundo fora dela e a realidade de que possui impulsos amorosos e destrutivos para com o mesmo objeto. Desta forma, se vê concernida pelo amor e pelo ódio, Winnicott é enfático ao afirmar que só a sustentação ambiental permite esta relação.

Portanto, o concernimento (Concern), considerado por Winnicott como uma experiência que demanda certo desenvolvimento emocional, surge com a integração da mãe-ambiente e mãe-objeto na mente do bebê. É neste estágio que ocorrem alterações importantes no mundo interno da criança em função do seu amadurecimento pessoal.

Para ele, o termo concernimento é utilizado para dar conta, de um modo positivo, do fenômeno que é abarcado negativamente pela palavra ‘culpa’. O concernimento implica uma maior integração e relaciona-se a um sentimento de responsabilidade, refere-se ao fato de que o indivíduo se importa ou se preocupa, aceitando a sua responsabilidade.


O autor diz que nesta fase a relação é eminentemente dual, mas, embora tente situar a época em que o momento ocorre, acredita que não existe uma precisão absoluta uma vez que o amadurecimento do ser humano acontece ao longo da vida:

Há uma boa razão para se acreditar que preocupação – com seu aspecto positivo – emerge no desenvolvimento emocional inicial da criança em um período anterior ao do clássico complexo de Édipo, que envolve um relacionamento a três pessoas, cada uma sendo percebida como uma pessoa completa pela criança. Mas não há necessidade de ser preciso sobre a época, e na verdade a maioria dos processos que se iniciam no início da infância nunca está completamente estabelecido e continuam a ser reforçados pelo crescimento que continua posteriormente na infância e através da vida adulta, até mesmo na velhice (1983 [1963], p.71).

A elaboração da capacidade para o concernimento é longa e é o fundamento para a capacidade de brincar e, posteriormente, trabalhar.
Em seu texto de 1963, Winnicott esclarece:

Preocupação indica o fato do indivíduo se importar, ou valorizar, e tanto sentir como aceitar responsabilidade. Em nível genital no enunciado da teoria do desenvolvimento, preocupação pode ser considerada a base da família, cujos membros unidos na cópula – além de seu prazer – assumem responsabilidade pelo resultado. Mas na vida imaginária total do indivíduo, o tema da preocupação levanta até questão mais ampla, e a capacidade de se preocupar está na base de todo brinquedo e trabalho construtivo. Pertence ao viver normal, sadio, e merece a atenção do psicanalista.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

INFORMAÇÃO IMPORTANTE .....






Consulta pública para proposta de Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) abriu no dia 13 de maio o prazo para consulta pública para a proposta de Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE - 2013-2022. As sugestões poderão ser encaminhadas até o 30º dia após a publicação deste despacho, à SDH/PR, por meio do correio eletrônico: consulta.sinase@sdh.gov.br.

Também será permitido o envio de sugestões por escrito, durante o prazo de consulta, para o seguinte endereço: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Setor Comercial, Quadra 9, Lote C, Edifício Parque Cidade Corporate, Torre "A", 8º andar, Brasília-DF, CEP: 70308-200, com a indicação “Sugestão ao Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo - 2013-2022”.

Após a conclusão da consulta pública, a Secretaria de Direitos Humanos promoverá a análise das contribuições e, ao final, publicará o resultado da consulta pública no endereço da Internet: www.direitoshumanos.gov.br.

Fonte: ASCOM SDH/PR

Conselho Nacional de Assistência Social
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